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Leonardo Schneider, PhD

Coluna · Dor lombar

Dor lombar e dor nas costas: o que fazer e como é a avaliação em Florianópolis

É comum, quase nunca é grave, e raramente tem uma causa só. Mexa-se na medida em que a dor não piora. O resto é ajuste.

Leonardo Schneider, PhDFisioterapeuta e Osteopata · CREFITO-10 nº 136902-FRevisado em outubro de 2026 · 8 min de leitura

Em 30 segundos

  • Um em cada cinco adultos brasileiros convive com dor crônica na coluna. Você não é exceção.
  • Na crise, mover-se é melhor do que ficar deitado, desde que a dor não aumente.
  • Na maioria dos casos, a ressonância não ajuda a achar a solução. Quem mostra o caminho é o estudo do seu sintoma.

Dor lombar é comum, quase nunca é grave e raramente tem uma causa só. Na maioria dos casos, o caminho começa pelo tratamento conservador20: mexer-se na medida em que a dor não piora, descobrir o que agrava e o que alivia, e voltar aos poucos ao que hoje incomoda. No meu consultório de Osteopatia e Fisioterapia, em Florianópolis, a avaliação vem antes de qualquer exame: é o estudo do seu sintoma que mostra o que fazer a partir de hoje.

Dor nas costas é normal?

Você sabia que um em cada cinco adultos brasileiros convive com dor crônica na coluna? São 21,6% da população adulta, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do IBGE (2019). Em 2013 eram 18,6%: o problema está crescendo1. E, ao longo da vida, a maior parte das pessoas vai ter pelo menos uma crise de dor lombar; as estimativas mais citadas chegam a oito em cada dez2.

É a condição que mais tira gente do trabalho, do esporte e da vida social no mundo3. Então sim, é comum. Comum a ponto de ser quase parte de viver.

Por que aparece, e por que vai e volta?

Tem gente com o exame cheio de alterações e nenhuma dor. Tem gente com a coluna normal para a idade e dor todo dia. Se a estrutura não explica sozinha, o que explica?

Uma soma. Quanto você se movimenta ao longo do dia. Se você tem alguma força de reserva. Como você dorme, e o sono pesa muito. Como você vive as pressões do trabalho4. Somam-se ainda idade, genética e, às vezes, uma condição inflamatória ou reumática. Algumas dessas coisas você muda, outras não. O trabalho é descobrir qual delas está pesando mais no seu caso.

E ela vai e volta, porque nada no corpo é fixo. A maioria das crises melhora bastante em algumas semanas5, e cerca de sete em cada dez pessoas têm um novo episódio dentro de um ano6. Isso é o comportamento esperado, e não quer dizer que algo quebrou de novo.

Tratamento, para mim, é isso: ganhar de volta, passo a passo, a capacidade de fazer o que hoje incomoda. Eu já não consegui ficar cinco minutos sentado. Hoje passo um congresso inteiro na cadeira.

“O que você não percebe, você não muda.”

Preciso de ressonância? E se aparecer hérnia?

Na maioria dos casos, não. A ressonância mostra a estrutura. Ela não diz qual exercício fazer, com que carga, quantas repetições, em que ângulo. Quem responde isso é o estudo do seu sintoma: o que piora, o que alivia, como a dor reage a cada movimento testado no consultório.

Quase todo mundo acha que o exame vai trazer segurança. Os estudos mostram outra coisa: quem faz ressonância logo no início, sem sinal de alerta, não melhora mais rápido7, e tem mais chance de acabar em procedimentos invasivos que nem sempre entregam resultado8. O exame tem a sua hora: quando a avaliação levanta uma suspeita que só ele pode confirmar.

Em pessoas sem nenhuma dor, aos 20 anos, cerca de 3 em cada 10 já têm alguma alteração no disco. Aos 50, são 8 em cada 10 com desgaste e 6 em cada 10 com abaulamento9. São como rugas por dentro. E boa parte das hérnias diminui sozinha com o tempo10.

Eu sei disso também na pele. Jovem, ouvi que a minha coluna era “de um homem de 70 anos”. Com essa mesma coluna eu treino jiu-jitsu, agacho com carga, pratico esporte em nível alto e crio dois filhos, sem dor. O exame não mudou. Mudou o que eu aprendi a fazer com o meu corpo. É a minha história, não uma previsão para o seu caso: cada coluna pede a sua avaliação.

Ressonância magnética da coluna lombar de Leonardo Schneider, em corte de perfil, feita em julho de 2001
Minha ressonância da coluna lombar, feita em julho de 2001. Foi com este exame que ouvi que tinha “a coluna de um homem de 70 anos”.

O que fazer agora: movimento, calor e a próxima postura

Repouso ou movimento? Movimento. Antigamente se mandava ficar deitado. Os estudos mostraram que não é o melhor caminho11. Isso não é negar a dor. É contorná-la. A regra é simples: se o que você está fazendo não piora a dor, continue. Se piora, diminua, mude o jeito, e tente de novo depois. O primeiro objetivo que eu proponho é voltar a caminhar12. Caminhe um pouco, descanse, e repare: a dor aumentou, diminuiu ou ficou igual?

Calor ou gelo? Para a coluna, quase sempre calor1314. Quando a coluna dói, os músculos em volta se contraem para proteger a região. O calor ajuda o corpo a baixar a guarda. Pode usar duas ou três vezes por dia.

Qual a melhor postura? Não existe uma posição ideal para todos os corpos, todas as camas e todas as cadeiras15. Sentar não causa a dor16. O que pesa é ficar muito tempo na mesma posição, principalmente para quem já está com dor. A melhor postura é a próxima.

E quando a dor desce para a perna?

O nervo ciático nasce na lombar. Por isso a perna pode doer mesmo sem dor nas costas. Formigamento, dormência e queimação são a linguagem do nervo.

Um dos sinais mais úteis que existem: quando a dor diminui no ponto mais distante (estava na panturrilha e passa a ficar no quadril), é sinal de melhora18. O contrário, a dor descendo mais pela perna, é sinal para rever a estratégia. Leia mais em dor ciática: o que é, o que fazer na crise e quando operar.

Quando a dor é perigosa?

Não tem certeza se é um desses sinais? Emagreceu sem explicação, ou a dor não alivia em nenhuma posição? Venha avaliar. Como profissional de porta de entrada, eu examino, reconheço esses sinais e, se for o caso, encaminho na hora.

Como é a avaliação de Osteopatia e Fisioterapia em Florianópolis

A avaliação começa antes de você sentar. O jeito de andar, a postura que o corpo arma para fugir da dor, até o aperto de mão já dizem muito.

Depois eu ouço. Como a dor começou, o que você fazia naquelas semanas, o que mudou na sua rotina. O que piora, o que melhora, a que horas do dia e da noite dói mais. O que você já tentou e o que outros profissionais disseram. E como está a sua vida: sono, trabalho, estresse, alguma perda recente. Tudo isso faz parte do problema.

No exame, peço que você reproduza o movimento que dói e dê uma nota de zero a dez. Faço os testes clássicos, que mostram o que agrava. E procuro sempre aquilo que alivia os seus sintomas. Com base no que piora e no que alivia, crio uma hipótese, e ali temos um direcionamento para o tratamento.

Nesse momento algo muda em quem está na sala. A dor costuma dar a sensação de que não se tem controle do próprio corpo. Quando você observa com cuidado o que piora e percebe, dentro da consulta, o que melhora, começa a ter controle. Isso acalma.

Então eu trato: terapia manual para soltar e abrir espaço, e os recursos que tiverem indicação no seu caso. Depois volto ao mesmo teste do início, para vermos juntos o que mudou.

Você sai com o raciocínio desenhado, às vezes literalmente no papel, e com os exercícios filmados no seu celular. Sabe o que esperar para amanhã e quando voltamos a avaliar, geralmente em uma semana.

Na primeira consulta já consigo ter uma ideia do percurso, e digo qual é. A maioria dos casos lombares melhora. O que varia é o tempo de cada tecido e de cada pessoa.

O que este trabalho pede de você

O que você não percebe, você não muda. Por isso este trabalho pede duas coisas de quem chega: observar o próprio corpo e mexer em algo da rotina.

Uma das minhas funções é fazer você pensar como um Fisioterapeuta para o seu próprio caso. Os exercícios que levo para a sua casa vão junto com a lógica que os escolheu. É como se você fizesse várias sessões por dia, como um atleta. O nome disso é autonomia.

Perguntas frequentes

Preciso de pedido médico ou de exame para marcar a avaliação?

Não. A avaliação pode ser marcada direto. Se você já tem exames, traga: eles são lidos junto com a avaliação clínica.

Devo ficar de repouso com dor nas costas?

Na crise, mover-se é melhor do que ficar deitado, desde que a dor não aumente. Se o que você está fazendo não piora a dor, continue. Se piora, diminua, mude o jeito, e tente de novo depois.

Calor ou gelo na dor lombar?

Para a coluna, quase sempre calor, duas ou três vezes por dia. O gelo tem a sua hora: uma pancada ou uma torção que inchou, e só nos primeiros dias.

Hérnia de disco precisa de cirurgia?

A maioria não precisa. O que vem primeiro é um tratamento conservador bem feito, ajustado à pessoa. Existem poucos casos em que não se espera para encaminhar ao cirurgião: são os sinais de alerta desta página.

Quanto tempo leva para melhorar?

A maioria das crises melhora bastante em algumas semanas. O que varia é o tempo de cada tecido e de cada pessoa. Por isso, em vez de pôr a expectativa numa data, eu ponho num sinal do corpo.

Qual a diferença entre Osteopatia e Fisioterapia no tratamento?

Na consulta eu uso as duas juntas. A Osteopatia olha o corpo inteiro e a vida que ele leva: o que piora, o que alivia, sono, trabalho. A Fisioterapia cuida da progressão do movimento: qual exercício, com que carga, em que ritmo. A ideia é você sair sabendo o que fazer e por quê. Escrevi mais sobre isso em Osteopatia ou Fisioterapia: qual a diferença?.

O atendimento é por convênio?

O atendimento é particular. Alguns planos de saúde reembolsam consultas: vale conferir as regras do seu. E por que poucas consultas costumam sair mais barato está em quanto custa fazer Osteopatia.

Referências científicas

  1. Malta DC, et al. Dor crônica na coluna entre adultos brasileiros: dados da Pesquisa Nacional de Saúde 2019. Rev Bras Epidemiol. 2022;25:e220032. Link
  2. Balagué F, et al. Non-specific low back pain. Lancet. 2012;379:482-91. Link
  3. GBD 2021 Low Back Pain Collaborators. Global, regional, and national burden of low back pain, 1990–2020. Lancet Rheumatol. 2023;5:e316-29. Link
  4. Lang J, et al. Psychosocial work stressors as antecedents of musculoskeletal problems. Soc Sci Med. 2012;75:1163-74. Link
  5. Costa LCM, et al. The prognosis of acute and persistent low-back pain: a meta-analysis. CMAJ. 2012;184:E613-24. Link
  6. da Silva T, et al. Recurrence of low back pain is common: a prospective inception cohort study. J Physiother. 2019;65:159-65. Link
  7. Chou R, et al. Imaging strategies for low-back pain: systematic review and meta-analysis. Lancet. 2009;373:463-72. Link
  8. Jacobs JC, et al. Observational study of the downstream consequences of inappropriate MRI of the lumbar spine. J Gen Intern Med. 2020;35:3605-12. Link
  9. Brinjikji W, et al. Systematic literature review of imaging features of spinal degeneration in asymptomatic populations. AJNR Am J Neuroradiol. 2015;36:811-6. Link
  10. Chiu CC, et al. The probability of spontaneous regression of lumbar herniated disc: a systematic review. Clin Rehabil. 2015;29:184-95. Link
  11. Dahm KT, et al. Advice to rest in bed versus advice to stay active for acute low-back pain and sciatica. Cochrane Database Syst Rev. 2010;(6):CD007612. Link
  12. Pocovi NC, et al. Individualised, progressive walking and education intervention for the prevention of low back pain recurrence (WalkBack). Lancet. 2024;404:134-44. Link
  13. Qaseem A, et al. Noninvasive treatments for acute, subacute, and chronic low back pain: a clinical practice guideline from the American College of Physicians. Ann Intern Med. 2017;166:514-30. Link
  14. French SD, et al. Superficial heat or cold for low back pain. Cochrane Database Syst Rev. 2006;(1):CD004750. Link
  15. Swain CTV, et al. No consensus on causality of spine postures or physical exposure and low back pain. J Biomech. 2020;102:109312. Link
  16. Alzahrani H, et al. The association between sedentary behavior and low back pain in adults: a systematic review and meta-analysis of longitudinal studies. PeerJ. 2022;10:e13127. Link
  17. Akkarakittichoke N, et al. The effects of active break and postural shift interventions on recovery from and recurrence of neck and low back pain in office workers. Musculoskelet Sci Pract. 2021;56:102451. Link
  18. May S, Aina A. Centralization and directional preference: a systematic review. Man Ther. 2012;17:497-506. Link
  19. Henschke N, et al. Prevalence of and screening for serious spinal pathology in patients presenting to primary care settings with acute low back pain. Arthritis Rheum. 2009;60:3072-80. Link
  20. Foster NE, et al. Prevention and treatment of low back pain: evidence, challenges, and promising directions. Lancet. 2018;391:2368-83. Link
Leonardo Schneider

Quem escreveu

Leonardo Schneider, PhD

Osteopata D.O., Fisioterapeuta desde 2009, mestre e doutor em Saúde Coletiva pela UFSC. Atende no Clube ASTEL, sala 7, R. Eduardo Gonçalves d'Ávila, 150, Itacorubi, Florianópolis/SC, e por teleconsulta.

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